8 Leis da Gestalt,
significado e aplicações no design

8 Leis da Gestalt, significado
e aplicações no design


Você já ouviu falar em gestalt? Essa palavra, que não é muito comum para alguns profissionais de design, traz teorias interessantes que podem auxiliar nas construções de estruturas simbólicas, letras e até materiais para impressão. Entenda o seu significado e quais são as leis que regem a gestalt.


Significado de gestalt

No dicionário Michaelis, a gestalt é compreendida pela Filosofia como uma “abordagem psicológica que tem como foco as questões ligadas à percepção e à cognição, os processos mentais por meio dos quais o homem apreende o mundo e forma o conhecimento a seu respeito.”.

Mas no design usamos as leis da gestalt na tentativa de compreender o todo de uma forma ou de um conjunto de formas que nem sempre são fáceis de se visualizarem. Segundo Filho (2009), é imprescindível para nós, humanos, que enxerguemos nos elementos e em suas composições algumas características como estabilidade, nitidez na compreensão e harmonia estética.


Para que serve a gestalt?

Para os designers, a gestalt serve como um estudo da compreensão humana das formas, e de como, enquanto profissionais, podemos (e devemos) desenvolver soluções harmônicas, que são mais agradáveis aos olhos, a partir dos suportes estéticos que esse estudo proporciona. Resumidamente, funciona como um guia para adequar projetos pensando na satisfação do público final.


8 leis da gestalt e exemplos no design

Para compreender melhor o uso da gestalt no design, confira, a seguir, a explicação de cada uma de suas leis e exemplos aplicados em marcas e outras produções gráficas:

1. Unidade


A unidade representa, na gestalt, a interpretação de um elemento como o todo, ou de uma composição de elementos que são parte do todo. Visualizamos a unidade através da relação de uma composição: uma rosa, por exemplo, é uma unidade (a flor por si só), formada por diversas outras unidades (cada pétala).


2. Segregacao


Na segregação passamos a separar as unidades por meio de estímulos visuais: cores diferentes, formas bem delimitadas por linhas, texturas, volumes, entre outros elementos. É uma atividade natural ao nosso cérebro dividir imagens em suas partes, como quando observamos uma fotografia e a dividimos em elemento principal, elementos secundários, fundo, etc...


3. Unificacao


Quando observamos elementos visuais semelhantes em harmonia em uma ou mais formas criamos a sua unificação. Essa lei pode se alterar em grau pela maior ou menor incidência de elementos correspondentes. De maneira geral, figuras simétricas tendem a representar bem o conceito de unificação, pois mantêm um padrão estético em sua estrutura.


4. Fechamento


No fechamento obtemos a construção de uma figura através do fechamento de seus elementos constituintes, ou seja, as partes de um todo se dispõem de maneira a criar uma nova estrutura visual. Um exemplo no design de marcas é o logotipo da Mitsubishi, em que são vistos triângulos nos espaços vazios entre os losangos que compõem a marca.


5. Continuidade


A continuidade está nos degradês, nas formas que se sucedem em sequência lógica como a espiral, que criam movimentos e sensações agradáveis por, justamente, estarem em continuidade. Para colocar em prática, indicamos o aplicativo para celular chamado I Love Hue, cujo objetivo é criar uma continuidade entre as diferentes matizes das cores.


6. Proximidade


Com os conceitos de proximidade, agrupamos elementos que estão próximos e criamos unidades de um todo ou o próprio todo. Fachadas de construções costumam criar essa sensação de proximidade, quando dividimos suas partes por aproximação: o corpo, o telhado, a chaminé, etc...


7. Semelhanca


A semelhança e a proximidade conversam entre si e tendem a criar a ideia de unidade. Mas na semelhança buscamos por elementos que se assemelham em algum grau para isso: seja pela cor, pela forma, pela direção ou qualquer outra característica.


8. Pregnância da Forma


Na pregnância da forma temos a lei básica da gestalt, que diz que os componentes de uma forma se agrupam, se aproximam e se assemelham em harmonia. Por isso, aqui também há uma variação em grau: quanto maior a legibilidade de um texto, por exemplo, maior é a sua pregnância (levando em consideração a cor do texto, a cor do fundo, a tipografia utilizada…).


Para entender ainda melhor toda essa teoria, é interessante colocá-la em prática através de exemplos do cotidiano. E essa é toda a importância da gestalt para designers: suas leis servem como base de estudo da percepção humana e guia para projetos de diversas áreas, trazendo facilidade na leitura das formas, consistência e padronização dos trabalhos.



Fontes:


DABNER, David; STEWART, Sandra; VICKRESS, Abbie. Curso de design gráfico: princípios e práticas. São Paulo: Gustavo Gili, 2019.

FILHO, João Gomes de. Gestalt do Objeto: Sistema de Leitura Visual da Forma. 9. ed. São Paulo: Escrituras, 2009.



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